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Um dia muito louco

Jornalista pode reclamar de tudo nessa vida. Baixo salário, fome, frio, cansaço, solidão, tudo, menos de uma coisa: monotonia. Se existe algo não proporcionado por essa profissão, é o tal do tédio. E hoje, em especial, meu dia foi inusitado. Teve desde uma manifestação nada pacífica, terminada em detenção, passando por ministro preso no elevador, até uma posse que, como um parto, foi aguardada por nove meses.

Vamos aos fatos. No meio da manhã, a ala Alexandre Costa do Senado Federal foi tomada por estudantes de diversos cursos de graduação da Universidade de Brasília (UNB), em protesto contra o novo Código Florestal ora discutido pelos senadores, em audiência conjunta da Comissão de Agricultura e de Ciência e Tecnologia.

Com cartazes e gritos (em alto e bom som), os jovens criticavam os parlamentares ligados à bancada ruralista. Ao final da audiência e com ânimos bem acirrados, alguns deles, segundo informações extra-oficiais, teriam cuspido e desacatado autoridades. Os detidos foram levados à Polícia do Senado para prestar depoimento, enquanto os demais saíram correndo e gritando pelos corredores. Até o início da noite,  diversos manifestantes permaneciam na porta, esperando a liberação dos alunos apreendidos.

À tarde, um fato curioso preocupou, mas não deixou de ser engraçado. Estava eu no Ministério da Saúde, para cobrir uma reunião que demorou a começar porque o ministro, Alexandre Padilha, o senador sergipano, Eduardo Amorim, e outros parlamentares, dentre deputados e prefeitos, ficaram presos por aproximadamente quinze minutos, em dois elevadores do prédio em reforma. Após libertados (e todos literalmente com saúde), o encontro foi bem sucedido. Foi entregue ao ministro Padilha um abaixo-assinado com 150 mil assinaturas pedindo apoio do Ministério para a construção do Hospital do Câncer de Sergipe.

Já no comecinho da noite, foi a vez da posse do senador paraibano Cássio Cunha Lima, no Senado Federal. Governador Ricardo Coutinho, deputados estaduais e federais, vereadores, muitos políticos presentes, deixaram plenário e galeria lotados. Mesmo sendo algo proibido, houve aplausos e manifestações de alegria. Em coletiva, Cássio prometeu exercer um mandato “à altura da expectativa dos paraibanos e brasileiros”, o que será possível por meio da experiência adquirida ao longo do tempo, mas agirá com calma, até ganhar o ritmo natural de trabalho. Legal. Assim seja, né?

Bom, pessoal, por hoje, é só. Ufa! Estou com os pés doendo. Venha o dia seguinte!

2 comentários:

  1. Ufa!
    dia estafante, pelo visto.
    Adoro sua forma de contar o cotidiano.
    Um abraço!

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  2. Anônimo9/11/11

    Parabéns Aline! Seus artigos são excelentes... (Fabiana Souza)

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