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É afanoso...

Trabalhar no Congresso Nacional já me possibilitou vivenciar situações tragicômicas, interessantes, hilárias, horripilantes, curiosas e infelizes. A de hoje foi, digamos, factor surprise: Ao chegar para cobrir reunião da bancada do Amapá com o Exmo. Sr. Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, sobre o problema da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), fui abordada por uma senhora distinta, membro da equipe dele, que sussurrou no meu ouvido:

“A senhora é jornalista? Vou colocá-la ali, no cantinho, junto aos demais assessores, e peço que fiquem calados, quietos, não fotografem, nem gravem, sob nenhuma hipótese. Caso contrário, serei obrigada a tirá-los do recinto”. Um rapaz alto, empalitosado, foi incumbido de vigiar cada passo, gesto e atitude minha e dos colegas, ali.

Arrazoamos entre nós: Proposta indecente? Medo da queda? Qual o mistério? Perguntei àquela senhora qual seria o lance e ela me respondeu (vejam só): “Ministro é muito perseguido. É jornalista pra todo lado. Aqui, é o único lugar onde ele pode ter um pouco de privacidade”.

Resposta convincente, não? Pow... Certas coisas deixam a gente meio sem palavras, né? E se isso vira moda? Fala sério! Parece-me que cobrir o mundo do crack em São Paulo ou ser repórter de pacificações e balas perdidas no Rio anda menos afanoso.